Er Ist Wieder Da(Ele Está de Volta): É possível diferenciar uma sátira de Adolf Hitler do próprio Adolf Hitler?

Adolf Hitler. Temos o costume pensar nele como a pior coisa que já aconteceu na história da humanidade. Como o pior ser humano do mundo e o mais próximo que um ser humano chegou de ser o mal encarnado. Ele morreu faz 70 anos e seu nome ainda é um nome com um poder forte. Leis da internet foram criadas sobre comparações com Hitler como maneira de vencer debates sobre qualquer assunto. “Pior que Hitler” é oficialmente o título mais hediondo pelo qual podemos chamar uma pessoa, e ele é a pessoa mais citada na pergunta “quem eu mataria se eu pudesse voltar no tempo?”. Seus símbolos são um tabu, e exibi-los é sempre polêmico e as vezes, ilegal. Seus seguidores são os vilões mais indignos de pena que uma pessoa pode colocar em uma obra de ficção. Hitler cometeu o maior genocídio documentado da história da humanidade, e é lembrado como o auge da podridão humana e da banalização do mal, e a verdade é que ainda temos muita dificuldade de lidar com o fato que ele existiu. Por isso uma das formas que temos de lidar com esse fato, é o humor.

PanzersDown

Retratar Hitler na ficção como um ser patético e ridículo é uma maneira de diminuí-lo e de contrariá-lo e tem sido feito desde quando ele estava vivo até os dias atuais. Poucos estadistas apareceram tanto no cinema ou na televisão fazendo o papel de um grande imbecil igual ele. Como Mel Brooks disse no passado: “Eu nunca gostei de Hitler. Se você sobe em um palanque e tenta debater com um ditador, é impossível vencer. É por isso que eles conseguem fazer o que fazem, eles seduzem pessoas. Mas se você ridiculariza eles, derruba eles com o riso, aí são eles quem não podem vencer. Você mostrou o quão loucos eles são.”

SpringtimeForHitler
Cena do filme The Producers de Mel Brooks.

Então a gente zoa Hitler, nós ganhamos uma carta branca pra sempre poder satirizar esse monstro que governou a Alemanha, ele é o alvo mais unânime da história pra ser criticado, satirizado e vaiado, e meio que nos acostumamos a vê-lo em filmes como essa grande piada.

HitlerArnold
Cena de Hey Arnold, desenho infantil da década de 1990.

Claro que isso não é absoluto, muitos consideram que rir da cara de Hitler pode nos fazer esquecer do que foi o horror que ele causou, principalmente tendo passado 70 anos de sua morte e se tratando de gerações que não viveram a Segunda Guerra Mundial. Na Alemanha, o país que obviamente é o que mais tem que lidar com o estigma negativo de Hitler, não são tantos os filmes em que ele aparece. Em exemplos recentes temos Der Untergang (A Queda), onde Hitler é retratado como um homem fraco e quebrado deparado com a derrota iminente na guerra, e que por mais que seja um filme completamente sério, acabou por gerar o maior meme envolvendo Hitler na história na internet, sendo rendido ao retratamento cômico do ditador. Outro filme é Mein Führer, de 2007 que é o primeiro longa de comédia alemã a finalmente pintar o alvo nas costas de Hitler e satirizá-lo. No filme, Hitler está quebrado e debilitado no fim da guerra, e precisa fazer um grande discurso pra motivar os nazistas, para isso ele contrata um grande ator pra treiná-lo no seu discurso, o problema é que é um consenso entre todos que o maior ator do mundo é um judeu. O ator é convencido a ajudar Hitler após ter seus familiares retirados do campo de concentração, e se vê diante do grande fracasso de ser humano que é Hitler. Parece um pouco com The King’s Speech, mas mais cômico, e é um bom filme, eu recomendo.

MeinFuhrer
Um bom filme.

Porém esses dois filmes retratam Hitler como uma figura patética, mesmo Der Untergang, que não é de humor, foca no Hitler mais enfraquecido e quebrado possível, assim como a mídia americana retrata ele como uma figura ridícula. Sempre diminuindo o ditador, para conseguirmos encará-lo, para não olharmos diretamente pro horror do holocausto, mas será que essa saída humorística para lidar com Adolf Hitler não nos impede de encará-lo pelo que ele realmente foi? Uma ideologia perigosa que pode não estar tão extinta nem tão distante como pensamos? Um político mais comum do que queremos pensar que a qualquer momento pode ressurgir? Para responder essa pergunta veio Er Ist Wieder Da (Ele Está de Volta), para nos falar sobre esse assunto. É mais uma comédia sobre Hitler? Sim, é mais uma, mas, ao mesmo tempo, abre um debate sobre onde está o limite da comédia sobre Hitler, e principalmente, não esconde o que foi o real Hitler e o quão assustador é o fato de que esse homem liderou o Terceiro Reich.

ErIstWiederDa

O filme, adaptado de um livro de mesmo nome, parte da seguinte premissa: “e se… Hitler acordasse em 2014 de uma hora pra outra, como se tivesse sido teletransportado de seu bunker em 1945? Como ele reagiria ao mundo atual, e como o mundo atual reagiria a ele?”

O filme abre, assim como Triumph des Wilens (O Triunfo da Vontade), com uma tomada aérea de uma cidade alemã vista de cima das nuvens, e imediatamente corta para Hitler abrindo os olhos, sujo e devidamente fardado, em pleno ano de 2014. Nenhuma explicação é dada de porque ele apareceu de repente no local de sua suposta morte, ele simplesmente surgiu.

Acordando

A primeira interação de Hitler é com três crianças jogando bola, ele ainda não percebeu que não está em 1945, pergunta pela Chancelaria, as crianças não o reconhecem, não sabem do que ele está falando e o acham um vacilão otário, e ele sai andando pela cidade completamente perdido.

Hitler desmaia em frente a uma banca de jornal e é acolhido pelo dono da banca, que está achando hilário um cara aleatório vestido de Hitler que desmaiou em frente a sua banca de jornal. Hitler está genuinamente confuso, com o dono da banca dando barra de cereais pra ele descobrindo que seus jornais nazistas não são mais vendidos.

HitlerDonodaBanca
“Isso é algum sequestro?” E o jornaleiro rachando de rir da figura.

Daí pra frente, parece um filme que já vimos mil vezes reciclado com Hitler. Olhem só, ele está fora de seu tempo, nunca comeu barra de cereais, acha que os jornais são outros, vários erros vão gerar humor daqui até o final do filme… bem, não? A ficha de que Hitler não está em seu tempo e sim em uma sociedade completamente nova cai muito rápido, e ele logo percebe que ele precisa se informar quanto a em qual sociedade ele vive agora.

Uma das primeiras coisas que ele nota, que ele foi dado como morto em 1945, e que após sua morte, inúmeros imitadores tentaram passar para a população através da mídia qual era o significado de sua luta, claro que nessa observação o que Hitler realmente viu foram as trocentas comédias satirizando-o. A primeira coisa que ele nota ao cair a ficha de que está em 2014, é que “por 70 anos, foi forte na mídia, comédias zoando Hitler.”.

Continuando com Hitler se atualizando no que perdeu ele faz uma elaboração sobre a situação política atual da Alemanha em comparação a como estava na época no nazismo, o que eu confesso, não posso traçar nenhum comentário, pois não entendo nada do cenário político alemão, mas Hitler conclui que a esquerda e a direita na Alemanha são tão patéticas que ele se sente inclinado a se alinhar com o Partido Verde de lá, afinal após a guerra a industrialização começou a destruir o meio ambiente e com o meio ambiente a saúde do povo alemão, e o Partido Verde é quem está genuinamente lutando pelo povo Alemão.

Após um dia intenso de lida de jornal, o dono da banca manda Hitler ir lavar as próprias roupas pois elas estavam fedendo, e eu só posso imaginar em que condições estava aquele sobretudo em 1945. Ele passa em duas lavanderias, onde os balconistas tratam ele como um cliente normal e não esboçam reação nenhuma quanto ao fato dele ser idêntico ao führer do país e estar devidamente uniformizado, mas ele é criticado por pedir pra lavarem a cueca dele, afinal lavanderias não lavam cuecas. Ele eventualmente deixa suas roupas em uma lavanderia administrada por uma imigrante, e volta pra banca de jornal com roupas que não tem nada a ver com a imagem que temos de Hitler.

CasualHitler

Então será que é essa a fonte de humor do filme? Outro filme de Hitler fazendo coisas normais que não esperamos ver um führer fazendo? Será que é isso?

Na banca o dono da banca lhe explica de que ele está sendo procurado por esse cineasta chamado Fabian Sawatzki, que pergunta pra Hitler qual seu programa, tendo certeza de que se trata de um ator encarnando um personagem, porém Hitler responde com um atual plano de ataque a Polônia. Sawatzki acredita que o discurso de Hitler foi uma piada (em defesa dele porque termina com ele explicando que seu uniforme estava na lavanderia), e se impressiona com o dom de comediante do “ator”. Ele oferece pra Hitler o seguinte plano: Hitler marcha pela Alemanha toda e Sawatzki segue ele com a câmera e registra tudo. E é aí, é essa comédia de erros a fonte central de humor do filme, mais do que Hitler-fazendo-coisas, embora tenha um pouco disso.

Sawatzki
Sawatzki, o deuteragonista do filme, rindo ao ver Adolf Hitler em sua frente.

As ideias de Sawatzki eram ideias de Hitler fazendo coisas, era “Hitler abre uma poupança” ou “Hitler vai à praia” e Adolf logo se enche dessas ideias, e no Hotel onde se hospedaram ele descobre a televisão. Ao invés de sofrer um choque e um estranhamento com a tecnologia nova, como um filme de peixe-fora-da-água obrigatoriamente faria, aqui, Hitler imediatamente se fascina com o potencial de propaganda que aquela tecnologia possuí.

Por isso mesmo fica desapontado ao descobrir que 90% do que passa na televisão é lixo. Programa de culinária, programa de barraco na televisão, gente se fodendo, um monte de conteúdo que na perspectiva de Hitler é indigno de ter prioridade naquele meio de comunicação se comparado a coisas relevantes que podem estar ocorrendo na Alemanha e no Mundo. Ele sabe que Sawatzki vai colocá-lo na televisão, e decide que o programa dele não vai ser aquela asneira, vai ser um programa político.

HitlerTelevisão
“Um avanço da tecnologia, uma oportunidade incrível de divulgação. Mas por que tem um cozinheiro aí? Deve ter alguma coisa acontecendo na Alemanha ou no mundo que seja mais interessante do que esse cozinheiro.”

Então o roteiro é alterado para que Hitler entreviste as pessoas que ele encontra na rua a respeito das condições da Alemanha atual. E agora, isso é importante, essas cenas são entrevistas reais, em que o ator que interpreta Hitler, Oliver Masucci, para pessoas reais para falar com elas sem sair de seu personagem. Em um estilo parecido com o que Sacha Baron Cohen usou em Borat.

HitlerEntrevista
“Hoje em dia não se pode falar nada que já vêm te chamando de racista. As crianças estrangeiras ficam jogando coisas na rua que nem loucas e eu não falo nada pois tenho medo de ser esfaqueada pelos pais delas.” “Vou colocar isso na minha agenda.” “Posso tirar uma foto com você?”

E o resultado dessas entrevistas é chocante. Os entrevistados se abriam com Hitler, falavam sobre como os problemas da Alemanha estavam ligados aos imigrantes e que eles tinham que ser expulsos. E eram pessoas reais fazendo comentários racistas e xenófobos para um homem vestido de Hitler sem nenhum desconforto por estarem na frente da iconografia de um grande genocida. Em um dos casos, Hitler explica para uma entrevistada que é contra a miscigenação usando cachorros como exemplo e a moça responde que concorda..

PastorAlemao
“Se o pastor Alemão cruzar com um basset vai gerar um pastor-basset. Que vai ser um bicho esquisito. Agora se dois pastor-basset cruzarem, não vão nunca mais gerar outro pastor alemão, não vai mais existir pastor alemão e a raça será extinta. É isso que está acontecendo atualmente na Alemanha.” “Você tem razão.”

Claro que deve ter tido um ou outro que soltaram um “que porra, é essa? Vai se fuder, como você tem coragem de se vestir de Hitler e sair por aí falando essas coisas? Não pode mais fazer essas merda na Alemanha não.” devem ter tido, certamente entrevistaram muito mais pessoas do que foi pro corte final, mas o filme achou mais interessante mostrar gente dizendo que por culpa do estigma as pessoas têm medo de falar mal dos imigrantes, mas mesmo assim eles estão estragando a Alemanha.

E eventualmente Sawatzki decide que o führer devia andar acompanhado de um cachorro. Afinal nós sabemos que Hitler amava cachorros. Porém na tentativa de adotar um, o cachorro morde a mão de Hitler, e esse reage puxando uma arma e dando um tiro no cachorro.

TironoCachorro
Poderia essa ser uma das maiores maldades de Adolf Hitler?

É! Hitler matou um cachorrinho! E nós que fomos educados pra acreditar que essa é a única atrocidade que ele não cometeria ficamos surpresos. Enfim, já fica o aviso pra explicar pras pessoas se for recomendar o filme: o cachorro morre. Muitas pessoas acham isso uma informação importante de se saber antes de ver um filme.

Mas relaxem que é um cachorro CG, diferente dos Alemães desabafando suas xenofobias pra Hitler, aquilo ali é real.

CachorroCg
Nenhum cachorro de verdade foi morto durante as filmagens. Mas pessoas de verdade disseram pra Hitler que os muçulmanos devem ser removidos da Alemanha.

Mas depois dessa Sawatzki tirou o revólver de Hitler, pra esse tipo de merda não rolar mais.

Enfim, ter que pagar pelo prejuízo do cachorro morto, fez eles precisarem de um dinheiro extra pra continuar filmando, então, a dupla usa os dons de artista de Hitler para arrecadas dinheiro pintando pessoas nas ruas. Os desenhos eram ruins, caricatos e muitas vezes ofensivos, um homem falou que via a si mesmo como um vagabundo e Hitler o desenhou em um campo de concentração. Assim como no caso das entrevistas durante os desenhos, nenhum ator contratado, somente pessoas reais que acharam graça em ver um homem vestido de Hitler vendendo desenhos ofensivos. E achavam graça nos próprios desenhos ofensivos.

Vagabundo

Nessa parte do filme, um dos transeuntes de manifesta e fala que é um absurdo um homem poder se vestir de Hitler em praça pública e ninguém achar nada errado, e que se dependesse dele Hitler estaria sendo perseguido, mostrando que ok, ao menos uma pessoa se manifestou quanto a isso, mas Hitler vendeu desenhos o suficiente para poderem continuar a viagem pra Alemanha.

BomSenso
“Estamos em 2014 e um sujeito vem em praça pública vestido como Hitler e ninguém vê nada de errado com isso? Olha, isso é péssimo pra Alemanha. Se dependesse de mim você seria perseguido.”

Com mais entrevistas, e cenas de Hitler fazendo coisas. Inclusive o filme mostra tweets reais de pessoas que encontraram o Hitler nessas caminhadas. A parte mais chocante no filme é quando um grupo de jovens alemães começam a linchar um moleque com uma jaqueta “Fora Alemães”, e os jovens começam a ir pra cima do rapaz e Hitler ficava lá gritando e incentivando a violência. No caso o moleque com a camisa “Fora Alemães” era um ator pago pra levar esse sacode em público, mas os agressores eram pessoas reais que obedeciam o homem vestido de Hitler pedindo um linchamento em público. Extremamente desconfortável de assistir.

Hooligans
“Vão permitir isso? Amarrem o traidor numa árvore.”

Selfies de jovens patriotas fazendo o símbolo de Heil, pessoal curtindo a companhia de Hitler, pessoal achando graça. Hitler não estava sendo visto por aqueles alemães como um símbolo do Nazismo, mas sim como um ícone da cultura pop, não muito diferente do Darth Vader.

HitlerSelfie

O barulho e o trending do twitter e o sucesso dos vídeos no youtube acabaram por chamar a atenção da emissora de TV pra quem Sawatzki envia seus vídeos, que se interessou em contratar Hitler. Com um dos produtores, Sensebrink, relutante com a ideia, por achar polêmico demais e ser contra, mas não pode evitar ver a mina de ouro que era esse homem que ele imaginou ser um ator interpretando Hitler.

Mas exceto por Sensebrink, o resto da emissora dá altas risadas enquanto Hitler fazia um discurso nacionalista na frente de todos, isso atraí a dona do canal, Bellini, que garante que vai colocar Hitler na televisão.

DiscursoReuniao
Todos riem desse discurso fascista.

Só que como Bellini também acredita que Hitler é um mero comediante em um personagem, ela faz uma advertência. “Vamos só combinar que falar de judeus não é nada engraçado.” e Hitler responde “concordo plenamente.” Hitler em nenhum momento veste a carapuça do comediante, tudo que ele fala é sério e ele nunca está fazendo piadas. Mesmo que todos queiram colocá-lo em um grande programa de comédia.

Para se preparar pra seu programa Hitler ganha acesso a um computador, e a uma secretária, Krömeier (que coincidentemente, é a namorada de Sawatzki), que lhe ensina a usar a internet, e Hitler fica maravilhado.

Wikipedia
Ele ficou particularmente encantado com a Wikipedia.

Sensebrink resolve colocar Hitler pra fazer um stand-up contando piadas o mais racista e ofensivas possível. Ele quer que o show atraia polêmica e essa polêmica permita a queda de Bellini e a sua ascensão ao cargo dela. Mas os comediantes do canal se sentem desconfortáveis tendo que escrever piadas racistas. Eles sentem que podem fazer melhor, mas são pressionados por Sensebrink a serem o mais racistas possíveis e o que sai é uma coletânea de piadas de judeu que honestamente, eu já tinha ouvido todas antes mesmo de ter idade para entender o que era o judaísmo. O que é curioso, por diversos motivos. Esse é um filme de comédia com Hitler, mas essa cena, que ocorre depois de uma hora de filme é a primeira que usa um humor racista, e não só evidencia como esse humor é ruim, como é também uma cena sem Hitler, não é Hitler que está contando piada de judeu, Hitler está pregando retomada das terras Alemã que a Polônia tomou após a guerra.

HumorRacista
“Eu não entendi. É pra sermos irônicos?” “É pra serem engraçados.” “Mas piadas racistas são racistas. Isso é fato.” “Mas é bom.” “Você acha racismo bom?”

O humor das cenas com Hitler consistem em dois diálogos em um, onde Hitler fala com Sawatski, Bellini ou com o povo alemão, e todos falam com ele sobre algo não relacionado a começar um Quarto Reich, mas Hitler só responde sobre o Quarto Reich, só fala sobre unificar e fortalecer e salvar a Alemanha, ele responde presumindo que estão todos falando sobre o mesmo assunto e raramente estão. Essa é a fonte de humor do filme. Não é o racismo, não é o peixe-fora-da-água (até porque Hitler se adapta rápido a qualquer novidade que apresentem a ele) e é bem baixa a dose de Hitler-fazendo-coisas. O humor principal é como ninguém percebe que Hitler está falando sobre assuntos nazistas e Hitler ignora o fato de ninguém estar falando sobre nazismo.

Judeu
“Vamos só combinar que falar de judeus não é nada engraçado.” “Concordo plenamente.”

O show de Hitler é pra ser parte do programa de auditório de um cara chamado Vitzigmann, um apresentador famoso por ser polêmico e fazer interpretações de mulheres muçulmanas em seu programa e tal. No programa do dia mesmo, ele estava preparando a sua maquiagem blackface pra fazer uma interpretação do Obama, quando ele descobre Hitler e fica puto, acreditando que Hitler vai arruinar o programa dele com polêmica desnecessária. Em resumo esse cara se maquiando com uma das iconografias mais racistas da história da mídia vê o Hitler e o acusa de ser pesado demais pro programa. Mas Vitzigmann está mentindo, ele não tem medo de Hitler ser pesado, ele só está puto por não ter sido consultado quanto a inserção de Hitler e de estar perdendo o controle do próprio programa.

Hitler se apresenta e a cena é fenomenal. Ele entra e fica em silêncio e cria um grande estranhamento. Na televisão silêncios são evitados, e não é que Hitler não conhecia a linguagem da televisão, é que ele não se importou e não quis de adaptar a ela. Todos estavam aflitos com o silêncio, Witzigmann estava puto com o convidado em silêncio, o pessoal da produção estava se perguntando como proceder, e então quando ele usou suficientemente o poder do silêncio pra criar impacto, Hitler começa a falar.

Hitler sabe que eles querem que ele diga uma piada ridicularizando estrangeiros, mas ele vê pouco sentido em contar uma piada quando a Alemanha está na situação em que está, então ele começa a falar sobre sua indignação com a televisão que não mostra a situação deplorável da Alemanha e de sua vontade de mudar isso e de fazer o povo alemão perceber a necessidade de uma mudança. Ninguém interpretou como um discurso político real, todos riram do stand-up, e logo Hitler era convidado de talk shows. Hitler nunca contava piadas, ele falava o que ele genuinamente achava, mas todos viam humor no que eles interpretavam como um homem imitando Hitler.

NaTv
Um discurso genuinamente fascista atacando a industria do entretenimento, a corrupção dos políticos e a crise política na Alemanha.

Vídeos e vídeos de youtubers comentando o discurso, alguns achando a simbologia de Hitler errada, outros achando um tapa na cara da sociedade e crítica válida a mídia, alguns concordando com as ideias dele, alguns confusos se era sério ou piada, mas ele havia virado o maior fenômeno da internet na atualidade e memes explodiram. Hitler e suas ideias foram reapresentados pro povo alemão da maneira mais literal possível, e foram aceitas.

Meme
Memes, a forma oficial da internet aceitar alguém em sua cultura.

Hitler ao acompanhar os perfis de pessoas que opinam seu trabalho descobre que existem os neo-nazistas na Alemanha (ironicamente, entre o grupo que não gostou do programa), e então vêm uma série de novamente entrevistas reais com neonazistas assumidos (que incluem um homem que disse que não seguiria o Hitler-ator mas seguiria o Hitler verdadeiro), e uma cena de Hitler invadindo a sede dos herdeiros do nacional-socialismo pra dar uma grande bronca em como o movimento dele foi reduzido a um bando de otário covarde.

KarlRichter
Hitler conversa com Karl Richter, presidente do partido nacional-democrata da Alemanha.

A polícia vai até a rede de TV investigar uma deúncia de discurso de ódio, denúncia feita por Sensebrink que quer derrubar o programa pra derrubar Bellini junto, mas o policial não segue adiante, pois é um grande fã de Hitler na TV e diz que a denúncia provavelmente foi de um esquerdista puto.

Mas a próxima tentativa de Sensebrink não falha, ele vaza o vídeo que Sawatzki gravou de Hitler atirando no cachorro e pronto! O público viu a verdadeira face de Hitler, um homem que matou um cachorro, com certeza uma coisa muito mais chocante e revoltante do que pregar o nacional-socialismo em horário nobre abertamente. A imagem de um cachorro morto é um impacto muito maior do que a imagem de Adolf Hitler e sua carreira como “comediante” acaba aí.

Jornais
E na primeira página dos jornais de lê “Cai a máscara de Hitler-da-TV”

É muito curioso, todo mundo que vasculha a vida de Hitler procurando alguma coisa que o redima ou que o humanize, fala “ele amava cachorros.” ou “ele tinha uma cadela de estimação que ele amava.”, como se isso tivesse algum peso em relação ao holocausto, e aqui vale o oposto, matar um cachorro foi o que ninguém relevou. Famílias passaram mal assistindo a revelação.

E Bellini foi demitida e Sensebrink conseguiu roubar o emprego dela. Mas na real foi o Sensebrink que se fodeu. Hitler aproveitou seu momento de crise para escrever seu grande livro, intitulado Er ist wieder da (exatamente o livro que inspirou o filme), que Bellini publicou e Sawatzki garantiu os direitos de adaptação pro cinema, enquanto o canal de televisão de Sensebrink está a beira da falência. Hitler se foi e com ele, o público o dinheiro e Bellini.

Autografo
Hitler agora é o autor de um Best-Seller e dá autógrafos.

Enfim, eventualmente Hitler acompanha Sawatzki para visitar Krömeier, e a avó da garota reconhece ele instantaneamente. Não como comediante nem como celebridade, como o real Hitler, ela é única no filme que o viu exatamente por quem ele é. Ela é judia, e muito idosa e se lembra de todas as barbaridades que o führer cometeu. Krömeier tenta acalmar a avó falando que é só uma piada, mas a velha não vê piada nenhuma em estar cara a cara com o homem que matou sua família. Ela enfatiza que Hitler está dizendo exatamente o que ele dizia na década de 30 e agindo exatamente como ele agia na década de 30 e como naquela época os alemães também achavam ele engraçado.

VóKromeier
“Vovó, isso é comédia, é uma sátira.” “Ele não mudou nada, ele ainda fala as mesmas coisas de antes, e no começo as pessoas deram risada também. Eu sei quem você é, eu nunca me esqueci.”

Novamente enfatizo, embora Hitler faça os demais rirem muito, ele em si não contou uma única piada o filme inteiro. Com o pânico da avó de Krömeier, Sawatzki enfim começa a perceber que o Hitler que ele descobriu e trouxe aos holofotes pode ser o real. Ele descobriu Hitler pela primeira vez capturando-o em vídeo se levantando pela primeira vez e agora ele revê essa gravação e nota que ele gravou o momento exato em que Hitler se materializou ali do nada. Ele se convence, Hitler não é um ator nem um comediante, é um ditador perigoso.

Hitler havia acabado de ser agredido por neo-nazistas do lado de fora do estúdio, que acreditavam que ele desonrava a imagem do original, sem saber que era o próprio, e os jornais publicam notícias sobre Hitler ser um herói da democracia por sua inimizade com os neo-nazistas. Sawatzki vai até o hospital para confrontá-lo, mas ele já havia recebido alta, ele fica histérico tentando convencer Bellini, que estava no hospital, de que era o verdadeiro Hitler, mas ela não dá ouvidos, e os enfermeiros do hospital internam Sawatzki por estar louco.

SawatzkiHospital

Mas coincidentemente no filme que Sawatzki estava dirigindo (e agora é dirigido por Bellini), a cena final seria também de um confronto final entre Sawatzki e Hitler, onde Sawatzki ameaçaria o ditador com a pistola que roubou dele no começo do filme, mas Hitler calmamente explicaria pra Sawatzki, que ele foi eleito pelo povo, que qualquer monstruosidade que ele tenha dito foi validada pelo povo que o elegeu, lançando a seguinte pergunta “O que vai fazer? Impedir as eleições?”.

Monstro
“Você é um monstro.” “Eu sou? Então é bom você responsabilizar também quem elegeu esse monstro. Todos eram monstros? Eram pessoas normais, que decidiram escolher uma pessoa diferente das outras pra confiar o destino do país. Você nunca se perguntou por que as pessoas me seguem? É porque no fundo elas são como eu.”

No final Sawatzki mataria Hitler, mas ele reapareceria atrás de Sawatzki logo após sua morte e diria: “Você não vai se livrar de mim. Eu sou parte de você. De todos vocês.”

E com essa cena concluída se encerram as filmagens, o filme sobre o retorno de Hitler está pronto pra sair, todos comemoram, mas Hitler pede para não se esquecerem do pobre Sawatzki internado no hospício, fazendo um brinde ao amigo.

A história se encerra com Hitler e Bellini em uma mercedes-benz conversível. Hitler está autografando cópias de seu livro, enquanto Bellini explica que Hitler revolucionou a comédia alemã e que a história da comédia terá agora um pré-Hitler e um pós-Hitler e que um tipo novo de entretenimento foi criado. Um entrevistador pergunta pra ela se caso um novo Hitler apareça, existe o risco da história se repetir, e Bellini fala que eles tiveram 70 anos pra digerir a história, e que toda criança aprende desde cedo sobre o Terceiro Reich, e que as pessoas precisam parar de subestimar o povo.

Mercedes

Dito isso ela e Hitler saem com o carro, onde pessoas na rua, novamente pessoas reais e não atores reagem a imagem de Hitler passeando em uma mercedes-benz conversível. Alguns acenam, alguns reagem negativamente e alguns estendem o braço no típico sinal de Heil Hitler. Essas imagens do povo acenando e sorrindo pra Hitler é intercalada com imagens de arquivo de diversos protestos violentos que foram feitos contra imigrantes e contra o islamismo na Alemanha e então o filme fecha com uma narração de Hitler afirmando “Eu posso trabalhar com isso.”

FIM DO FILME!

Enfim, o que aprendemos hoje? Bem, que o filme retrata basicamente a Lei de Poe, grande lei da internet que diz que “Na internet, um extremista é indistinguível de uma paródia de um extremista.” só que no caso nos apontando que na vida real pode ser igualmente difícil de distinguir.

O filme nos aponta como os 70 anos de paródias de Hitler nos dessensibilizaram para o verdadeiro, a um ponto em que se alguém se vestisse como Hitler e falasse como Hitler e não contasse piada alguma, somente falasse discursos nazistas, ainda sim nós o enxergaríamos como uma paródia de Hitler e não como uma repetição do verdadeiro.

O Hitler do filme se destaca da grande maioria dos Hitlers do cinema por não ser nem um palhaço, nem um super-vilão, nem uma figura decadente. Ele aparece nesse filme como um ser humano perfeitamente normal, que conversa com as pessoas que estão dispostas a ouvir e que escuta tudo o que os outros tema dizer. Que só pensa e só fala na Alemanha e em como salvar a Alemanha e em como cuidar do povo Alemão. Os discursos desse Hitler do filme todos apelam pra insatisfações cotidianas de todos que estão ouvindo, como saúde, educação, corrupção e medo da crise, e guiam essa insatisfação à decadência do país e à necessidade de um líder que restaure o país a sua grandeza original. É um Hitler muito mais humanizado e próximo de todos nós do que qualquer Hitler que ame cachorros. É um Hitler que é muito fácil de ver como ele foi eleito em primeiro lugar, e nada disso é contraditório com o fato dele ter cometido o Holocausto, nada disso nega as consequências do Nazismo na Alemanha. Esse é o Hitler do cinema que eu mais consigo imaginar “o Hitler de verdade devia ser assim mesmo.”

TvHitler
“Que crise é essa em que vivemos? Pobreza infantil, criminalidade, desemprego, taxas de natalidade menores que nunca. Claro, quem vai querer por um filho em um país nesse estado?”

O Hitler do filme era engraçado? Sim, todos riam quando falavam com ele, mas riam dele ou riam com ele? Como a avó de Krömeier aponta, em 1933 ele fazia as pessoas rirem também. Hitler tinha um carisma absurdo. Existem duas facetas na comédia, ela pode ser usada pra diminuir alguém, e foi com sucesso usada pra diminuir Hitler nos últimos 70 anos, mas também pode ser usada pra pra seduzir alguém.

TheGreatDictator
Charles Chaplin já nos revelou que se ele soubesse que tinham campos de concentração na Alemanha ele não teria feito The Great Dictatori.

Claro, que filmes como The Great Dictator, ou Mein Führer ou metade das comédias sobre Hitler que existem servem pra diminuí-lo, mas o tipo de humor que os personagens de Er Ist Wieder Da achavam que ele fazia podia beirar para outro tipo de humor. Deixava de ser um “Eu rio da cara de Hitler” e virava um “Hitler me faz rir.”

Como Roger Rabbit uma vez disse: “O humor pode ser uma coisa muito poderosa, e as vezes, a única arma que temos.”, para justificar porque as pessoas que ele fez rir não iriam denunciá-lo à polícia. Mas uma citação ainda maior é do Joker nos quadrinhos de The Suicide Squad. Lá ele explica que fazer alguém rir é uma maneira de ganhar poder sobre elas, você ganha a atenção delas e daí em diante pode influenciá-las.

Joker

Joker2

Ao longo do filme, o expectador pode rir dos enganos e das pessoas confundindo Hitler com um comediante e não percebendo o que nós sabemos, que ele é o verdadeiro. Mas os personagens riam dos discursos nazistas ditos nos mesmos moldes que os originais, não sabendo distingui-los de um stand-up. E as pessoas na rua não sabiam distinguir de maneira muito melhor não.

Ao final Bellini diz arrogantemente que o estigma do Nazismo é grande demais pra que um Hitler de verdade volte ao poder, sem perceber que ela está com o Hitler de verdade ao seu lado e voltando aos poucos ao poder. Uma frase que é muito semelhante à premissa do filme Die Welle (A Onda), inspirado em um experimento real, onde um professor demonstra na prática que a sua sala de aula poderia facilmente ser seduzida ao fascismo, após um aluno explicar que a história nunca se repetiria.

Die Welle (2008) Promotional Onesheet, Sweden
Outro filme que recomendo muito.

Hitler é engraçado quando ele é uma piada. Mas quando Hitler é meramente Hitler, ele devia ser assustador, ele não devia ser engraçado usando apenas a imagem e maneirismos de Hitler. E com o exemplo de ninguém sendo capaz de reconhecer Hitler diante de seus próprios olhos, o filme questiona se nós somos capazes de reconhecer o fascismo diante de nossos próprios olhos. Afinal se o fascismo deixou de ser obvio mesmo quando acompanhado da imagem de Adolf Hitler, como poderia ser obvio acompanhado de políticos normais dizendo coisas normais de políticos e que fazem seus eleitores rirem com comentários ácidos?

7 thoughts on “Er Ist Wieder Da(Ele Está de Volta): É possível diferenciar uma sátira de Adolf Hitler do próprio Adolf Hitler?

  1. Texto fantástico eu concordo totalmente quando nos ridicularizamos ou demonizamos Hitler nos no cegamos para quando alguem igual a ele aparecer as pessoas agem como se o que Hitler fez era algo inimaginável mas eu tenho certeza que existem muitas pessoas no mundo que se tivessem o poder que ele tinha fariam igual ou pior.

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  2. […] Mas então, quem vai ser o vilão, se Walter não vai se transformar oficialmente no vilão? Ele já matou o Gus Fring, não sobrou ninguém foda no ramo do tráfico pra ser pior que o Walt. Pois é nessa hora que os roteiristas de Breaking Bad usaram o grande coringa da vilania, e inseriram o elemento que quando inserido em um roteiro atrai toda a noção de maldade pra si mesmo. Foi aí que aparecem os neonazistas, que como já foi comentado aqui no blog, nada nunca é pior que um nazista na ficção. […]

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  3. Perfeito esse texto. Vc acertou em tudo que disse sobre o filme. Realmente Hitler era engraçado é carismático, mas sempre muito focado em sua ideologia. As pessoas o viam com ser inofensivo e ao mesmo tempo protetor e tudo que ele conseguiu foi ganhar espaço. Esse filme mostra bem que se Hitler voltasse teria grandes chances de repetir tufo novamente. No filme mostra bem discursos de pessoas culpabilizando os imigrantes pelas mazelas do país. Discurso de ódio, intolerância e racismo. E assim ele ganhou espaço como a 70 anos atrás. Não só na Alemanha, mas em outras nações vemos como é fácil para o ser humano sempre culpar o outro do que se responsabilizar por algo causado por ele mesmo. Aqui também não é diferente. Daí podemos tirar uma grande lição o quanto nos evoluímos desde então? Passado como a 1, segunda guerra mundial e tantas outras atrocidades é pra gente refletir e não repetir.

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  4. Assisti o filme ontem e depois fui a internet ver críticas do filme. Sinceramente só achei no DCM, Brasil247 e revista fórum, ou seja sites partidários. Até que cheguei aqui. Não tinha percebido no filme essa coisa da caricatura de Hitler, que você nos mostrou. Mas as sua percepção do filme, humildemente digo que foi como a minha. Pois o filme é para ser assistido sem ódio e sem análises vagas. Certamente como vi nas páginas citadas, vem a análise da esquerda e já acha que o filme é simplesmente uma crítica à direita e que no caso do Brasil, Bolsonaro. Certamente se vier a análise da direita, vai dizer que o filme foi feito por um esquerdista adepto do marxismo. Mas o filme é um tapa na cara dos dois lados. Pois logo no começo, quando Hitler fala dos verdes, já mostra isso. Me arrisco em dizer que vi que o filme também cutuca essa coisa do politicamente correto, pois pessoas sentem medo de falar o que pensam, uma crítica ao governo alemão também, pois a questão dos imigrantes e refugiadas gera sentimentos e medos que considero até normais e o estado, apesar de acertar dando apoio aos imigrantes, não olhou para isso, onde é natural que alguns alemães se sintam desamparados, principalmente no proletariado, pois foi esse o público de Hitler e foi esse o público que o personagem abordou. Pois a xenofobia muitas vezes vem do medo da perca, O verdadeiro Hitler explorou isso, elegeu culpados da crise alemã, pois judeus viviam normalmente na Alemanha, antes do nazismo. Outra parte bem sútil que vi, foi até uma crítica ao feminismo exacerbado de hoje dia.
    O filme mostra um Hitler sem fazer um só discurso de ódio. A parte que mais me chamou atenção foi quando ele diz ao entrevistador negro que ele seria muito útil ao projeto de reconstrução, nas rodovias. Naquele momento o cara achava que Hitler o expulsaria, ao contrário, ele sutilmente fala que ele tem espaço na Alemanha, mas do jeito que Hitler quer. Você foi perfeito no trecho em que diz sobre um Hitler mostrado como um ser humano perfeitamente normal. Pois certamente ele foi assim, pois ao contrário como conquistaria uma nação e como implantaria o nazismo, como teria o Holacausto, se ele não tivesse o dom da palavra e da influenciar pessoas. Quase no fim do filme ele está falando com um jovem, que diz que defende a democracia, e Hitler fala que também, que ela deve ser exercida por um líder forte. Essa foi a parte que me remeteu ao que vivemos no Brasil atualmente, temos despontados nas pesquisas eleitorais dois representantes desse extremismo, Lula e Bolsonaro, dois que falam o que pessoas querem ouvir, dois travestidos de democratas, que na minha opinião ignorarão a democracia, quando perceberem que ela não serve mais ao discurso.

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